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Verde para Química Ambiental
ANTI-INCRUSTANTES (Pesticidas Marinhos)
Michael C. Cann,
Chemistry Department,
University of Scranton
Pesticidas
Organismos indesejáveis são
eliminados, ou seja, controlados por pesticidas. Geralmente os pesticidas
químicos agem interferindo nas funções orgânicas
dos organismos a que são dirigidos. São usados para controlar
uma grande variedade de organismos, sendo os mais comuns os insetos (inseticidas),
plantas (herbicidas) e microorganismos (desinfetantes). Outros pesticidas
são usados no controle de algas (algicidas), roedores (raticidas),
peixes (piscidas), fungos (fungicidas), caracóis e outros moluscos
(moluscicidas) e aves (avicidas). Alguns dos pesticidas mais conhecidos
incluem os organoclorados (ex. DDT, mirex, dieldren e aldrin), os organofosforados
(ex. malation, paration, clorpirifós) e os herbicidas derivados
do clorofenol (ex. 2,4-D e 2,4,5-T).
O Desenvolvimento de Incrustações Moles
(algas e algas marinhas) e Duras (crustáceos)
Eu tenho a sorte de viver próximo a um pequeno lago no nordeste da Pennsylvania e com a passagem do inverno e a chegada do clima quente da primavera ocorre o lançamento anual do nosso pequeno barco na água. A primeira volta em torno do lago é sempre a mais rápida e no final do verão a velocidade do barco é reduzida em 3-5 km/hora. Aproveitamos ao máximo o veraneio antes que chegue o frio do final de outono. Antes de guardar a embarcação, limpamos por dentro e por fora. A quantidade de limo que cresce no casco, abaixo da linha da água nunca deixa de me supreender e é necessário uma grande quantidade de óleo e detergente para restaurar o brilho original do casco. A formação do limo aumenta a resistência e assim diminui a velocidade máxima. De fato, uma camada de limo de apenas 1mm pode aumentar a resistência em 80% e acarretar uma perda de velocidade de cerca de 15%.1
Qualquer pessoa que já esteve no
mar, viu as rochas e conchas de moluscos cobertos por algas (incrustações
moles) e incrustada com crustáceos e diatomáceas (incrustações
duras). Como os cascos dos navios estão submersos permanentemente
na água durante anos, haverá o crescimento desses mesmos
organismos marinhos, que levará a uma significante resistência
hidrodinâmica na embarcação. Esta resistência
no navio impede sua passagem através da água, resultando
em um aumento no consumo de combustível, causando altos custos
operacionais e ambientais. Estima-se que isto poderia significar para
a indústria da navegação um aumento de 3 bilhões
de dólares no custo de combustível adicional, caso o casco
não fosse tratado.2 Custos adicionais
ocorrem também quando as embarcações são levadas
a docas secas, isto inclui a limpeza do casco e o tempo perdido, que está
estimado em 2,7 bilhões de dólares anualmente. Além
disso, os custos ambientais são provenientes não apenas
do aumento do consumo de combustíveis fósseis (fonte não
renovável), mas também do aumento das quantidades de dióxido
de carbono (gás do efeito estufa) e de outros poluentes atmosféricos
(óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, hidrocarbonetos
não queimados, ozônio etc.).
O Uso de Anti-incrustantes (Pesticidas) no Controle
do Desenvolvimento de Organismos Marinhos
Anti-incrustantes Organoestânicos
Com a finalidade de inibir a fixação
e o desenvolvimento de organismos marinhos, os cascos das embarcações
são normalmente tratados com compostos químicos. Estes compostos
conhecidos como anti-incrustantes geralmente são misturados na
tinta que é empregada no casco. Compostos organoestânicos,
em particular o óxido de tributilestanho (TBTO),
são muito efetivos, e foram utilizados como anti-incrustantes
durante muitos anos (organoestânicos também são aplicados
na agricultura e na indústria de madeira e plástico). A
eficiência do TBTO resulta da liberação gradual do
biocida no casco, matando os organismos incrustantes que estão
na área vizinha.
Embora os compostos organoestânicos sejam eficientes anti-incrustantes e tenham propiciado uma economia de bilhões de dólares para a indústria da navegação, devido à redução no consumo de combustível e do tempo de doca seca, na década de 1980 foi descoberto que o TBTO e outros anti-incrustantes organoestânicos possuem um tempo de meia vida no ambiente relativamente longo (tempo de meia vida na água do mar >6 meses).1 Assim, concentrações significativas destes compostos podem ser encontradas tanto em sedimentos marinhos como na água, e eles tendem a bioconcentrar nos organismos marinhos. Como resultado da bioconcentração, não é raro que a concentração de TBTO nos organismos marinhos seja 104 vezes maior do que na água à sua volta.
Os organoestânicos, além de
serem poluentes persistentes, também apresentam toxicidade crônica
à vida marinha a níveis de ppt e podem entrar na cadeia
alimentar. Em particular, o TBTO causa deformação nas conchas
de ostras, mudança de sexo em lesmas e imposexo em caracóis.
Além disso, o sistema imunológico em golfinhos, peixes e
outros organismos marinhos pode ser comprometido, em função
da bioconcentração de compostos organoestânicos. Devido
a esses problemas ambientais e suas implicações, os anti-incrustantes
organoestânicos estão sendo banidos mundialmente,3 com o apoio da IMO (Organização Marítima
Internacional), que baniu a aplicação dos organoestânicos
como agentes anti-incrustantes desde 1° de janeiro de 2003. O Japão
já baniu o uso dos anti-incrustantes organoestânicos e nos
Estados Unidos o uso do tribulestanhocomo anti-incrustante está
bastante restrito, graças à Lei de Controle
sobre Tintas Anti-incrustantes à base de Organoestanho, de
1988 (OAPCA).
Química Verde: Um Anti-incrustante ambientalmente preferível
Durante os últimos 10-15 anos tem-se feito esforços para desenvolver anti-incrustantes que sejam menos prejudiciais ao ambiente, mas que tenham a mesma eficácia dos organoestânicos. Idealmente, estes compostos devem ser:
Um dos avanços mais importante na área de
anti-incrustantes foi alcançado pela Empresa Rohm and Haas, com o
desenvolvimento do SEA-NINE®
211. A importância ambiental da descoberta do SEA-NINE
211 pela Rohm and Haas foi reconhecida em 1996, com um Prêmio
Presidencial Desafios em Química Verde. O SEA-NINE 211 ganhou
o prestigiado Prêmio Presidencial Desafios em Química Verde
na categoria “desenvolvimento de produtos químicos menos tóxicos
que as alternativas atuais”. O ingrediente ativo no SEA-NINE 211 é
a
4,5-dicloro-2-n-octil-4-isotiazolin-3-ona (DCOI), membro da
família dos anti-incrustantes isotiazolonas. A eficácia
da DCOI é ilustrada pelos painéis de teste na Figura 1. Cada
um dos painéis de teste foi imerso em água do mar por
sete meses. O painel da esquerda foi tratado com DCOI e está
aparentemente livre de organismos marinhos, enquanto que no painel que
não foi tratado (direita) o crescimento/fixação
de incrustações é claramente evidente
Figura 1
Painéis de teste imersos por 7 meses em água do mar
Revestido com DCOI Não revestido
com DCOI
Rohm and Haas
Rohm and Haas
A DCOI atua mantendo um ambiente hostil
aos organismos marinhos. Quando os organismos se fixam no casco (tratado
com DCOI), as proteínas na região em contato com o casco
reagem com a DCOI. A reação com DCOI impede o uso destas
proteínas para outros processos metabólicos. O organismo
então se desgruda e procura uma superfície mais favorável
para o seu desenvolvimento.
Redução do Risco Ambiental com SEA-NINE 211
O risco ambiental é função da toxicidade e da exposição:
RISCO AMBIENTAL = f(TOXIDADE e EXPOSIÇÃO)
Assim, o risco ambiental pode ser minimizado
pela redução da toxidade de um composto e/ou pela redução
da exposição a este composto. DCOI, o ingrediente ativo
do Sea–Nine, por necessidade apresenta toxicidade aguda a uma grande variedade
de organismos marinhos. A DCOI mostrou-se ativa contra algas e diatomáceas
em concentrações em torno de 10 ppb e a larvas de lesmas
a níveis de ppm.1 no entanto
o risco ambiental da DCOI é mínimo, porque apenas organismos
em contato com o casco do navio são expostos à DCOI em níveis
tóxicos. Embora a DCOI seja estável enquanto parte da pintura
de uma embarcação, quando ele é liberado (arrastado)
lentamente do casco, ele se degrada rapidamente (quando em contato com
a água do mar) a compostos que são, essencialmente, não–tóxicos.
Essa decomposição é promovida por
microorganismos naturalmente presentes na água do mar. O tempo
de meia vida da DCOI na água em pH 7 é superior a 720 horas,
enquanto que na água do mar natural o tempo de meia vida cai para
menos de uma hora1 (lembre-se
que o tempo de meia vida do TBTO na água do mar é >6
meses). Essa rápida biodegradação faz com que as
concentrações da DCOI fiquem abaixo dos níveis de
toxicidade aguda. A DCOI, ao contrário do TBTO, não é
cronicamente tóxico.
A rápida degradação da DCOI é acompanhada pela rápida partição da DCOI para o solo/sedimento. Isso ocorre, em parte, devido à baixa solubilidade da DCOI em água. A absorção da DCOI pelo solo/sedimento reduz ainda mais sua biodisponibilidade. Além da baixa biodisponibilidade da DCOI, ele possui um fator de bioconcentração de apenas 13, quando comparado a 1500 para o TBTO.1 Níveis de bioconcentração de 100 ou superiores, são geralmente considerados significativos; assim, não se espera que a bioconcentração da DCOI em organismos marinhos atinja níveis que poderia levar a alguma preocupação.
Para calcular o risco ambiental de uma
substância, os cientistas geralmente consideram a relação
entre a concentração ambiental prevista (CAP) de um composto
e a concentração deste composto no ambiente na qual as previsões
indicam que ele não afetará um organismo (concentração
prevista sem efeito, CPSE). A relação CAP/CPSE é
conhecida como
QR = CAP/CPSE
o quociente de risco (QR) e, quanto menor o quociente de risco, menor
o risco associado à substância. Obviamente, o QR de uma substância
precisa ser <1. O QR da DCOI varia de 0,024 a 0,36, indicando que as
concentrações ambientais do DCOI devem apresentar baixo
risco de toxicidade aos organismos marinhos. Ao contrário, a faixa
de QR dos anti-incrustantes organoestânicos é de 15-430,
indicando um risco sifnificativo à vida marinha.
Questões
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"Greening Across The Chemistry Curriculum" foi traduzido para o português por: Eder J. Lenardãoa;
Thiago Barcellosb; Rogério A. Freitaga;
Geonir M. Siqueiraa; Para mais material sobre a
química verde em português, visite: |
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